Entre Quatro Paredes e Nada Mais LIVRO

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Tesouro Vazio, de Danka Maia e Isa Lisboa




É uma manhã de Outono, o vento levanta-se já, arrasta as folhas secas pelo chão, num rodopio dançante.
Pedrinho corre atrás delas, tentando apanhá-las no ar, mas o vento leva-lhas.
Ainda assim, Pedrinho não desiste, continua a saltar, divertido com esta nova brincadeira.
De repente, lembra-se da mochila, e de que já deve estar atrasado para a escola. A custo lá coloca a mochila às costas, e corre o mais que o peso dela lhe deixa.
Consegue chegar a tempo e, pelo menos desta vez, o Marco já entrou na sala de aula. Hoje não precisa ouvir as suas ameaças de colocar Pedrinho dentro da mochila. Essa piada arranca sempre muitas gargalhadas dos colegas.
Pedrinho não gosta destas brincadeiras; sabe que é baixinho, mais baixinho que os coleguinhas da turma, mas não gosta! Não entende porque tem tanta piada. Também não entende porque se riem tanto quando fala do seu tesouro.
Pedrinho sabe que existe um tesouro para ele. Ainda não sabe o que é, por isso todos se riem dele.
Mas a sua mãe sorri sempre, quando ele lhe conta do tesouro, e passa-lhe a mão pelos caracóis, sorrindo.”Não te posso comprar muitas coisas, Pedrinho. Por isso, agarra-te sempre aos teus sonhos, porque eles não têm preço, e segui-los, será sempre a tua maior riqueza.”
Por isso Pedrinho, continua à procura do seu tesouro. Primeiro, precisa encontrar o mapa. Infelizmente, não sabe muito bem onde poderá encontrá-lo. A mãe diz-lhe que quando menos ele esperar, irá encontrá-lo, é assim com todas as coisas boas da nossa vida, completa ela com o seu lindo sorriso.
O menino vivia nos braços da utopia, carregado pelos sonhos que para ele sempre eram azuis e com gosto de maravilhosas guloseimas e cheiro fresco de aventura que para Pedrinho era o mesmo que a terra molhada no início das gotas da chuva. Muitas vezes nos seus adágios era mais feliz, pleno e tinha mais amigos, talvez coisas que dentro do peito do menino careciam para sentir-se mais respeitado pelas outras crianças e dar uma vida melhor a sua mãe.
Até que um dia, como a todos que este tem, venho o sol nos raios da liberdade, mas não sozinho, consigo trouxe a oportunidade do menino.
Mexendo nos perdidos do tio-avô, já falecido, encontrou fotos, poemas, dilemas e um mapa muito curioso. Pedrinho não perdeu tempo, tentou levantar todos os possíveis fatos sobre aquele lugar. Biblioteca, escola, prefeituras, porém simplesmente parecia que ninguém jamais ouvira falar daquela localização, mas desistir, nem pensar, Pedrinho não tinha tempo para isso não!
E por isso, Pedrinho, dirigiu-se à sua melhor conselheira, a mãe.
Quando algo está a ser difícil de encontrar, então só pode estar em um lugar: no nosso coração!” – foi o que ela lhe disse.
O seu coração apontava-lhe para a sua casa, mas fora aí que encontrara o mapa. E o mapa e o tesouro não poderiam estar no mesmo sítio.
Foi então que se lembrou do seu segundo sítio favorito, um local que não estaria em algum mapa oficial. Só poderia ser lá!
Ansioso, correu pelo pequeno caminho, cada vez mais cheio de vegetação, de tão pouco que era usado. E rapidamente chegou lá, à clareira onde gostava de sentar-se, a brincar, a observar as aves e os outros animais que ali apareciam, a subir às árvores.
Só poderia ser ali!
Olhou à volta, ansioso, à procura de vestígios de uma entrada secreta, um outro caminho escondido atrás da vegetação…
E lá estava! No tronco da sua velha amiga árvore, um pequeno buraco.

Aproximou-se e afastou as folhas caídas, os galhos que caíam por lá e viu que o buraco se alargava. Como nunca tinha reparado nele?
A tremer de curiosidade e entusiasmo, tacteou com uma mão, e sentiu algo. Tentou puxar, mas era pesado, teve que puxar com ambas as mãos.
E finalmente estava cá fora: uma caixa de tesouro!
Mas o que é o Destino e essas tais surpresas que nos reserva? O baú era mesmo pesado, no entanto isto se dava frente à madeira que fora fabricado. A surpresa maior foi o que surgiu quando o pequeno menino com olhos saltitantes felicidades abriu o tal invólucro.
Em sua mente infantil tudo se dava,com o tesouro compraria casa para família, viajaria o mundo com a mãe, até uma excursão pela galáxia tinha pensado e depois uma caçaria na Terra um médico capaz de lhe dar uma fórmula mágica para enfim tivesse alguns centímetros a mais e deixasse de ser a piada de seus coleginhas na escola e na vida.
 Pedrinho escrevera sua vida como rei!
Entretanto...
_Não!!!!- berrou o menino levando as mãos a cabeça desolado.
Sentado ao lado e lentamente repousando sua cabeça ao lado, triste e em prantos soluçantes, rasgando qualquer coração que ali o visse.
 O baú jazia vazio, oco de ouros, joias preciosas, porém, com uma carta dentro amarelada pelo tempo.
 Quando o chão se vai, ficam os galhos das árvores. E foi o tronco da vida que sustenta a seiva de todo ser humano que o impediu de cair naquele abismo da alma que lhe fora apresentado.
_Filho?- Passando as mãos entre seus cabelos e em seguida erguendo seu rosto lavado pelas lágrimas e desengano.
_Mamãe...
_Venha cá meu menino, vem. - Abraçando contra o peito e serenando em seu colo.
Após alguns minutos ele desabafou:
_Mamãe, nossos sonhos se foram! O baú está vazio, tudo ser perdeu. - Limpando os olhos.
_Meu amor, não fique assim. Vamos ver o outro lado. A vida é como um copo enchido pela metade. Você pode afirmar que está meio vazio e frustrar-se como também pode ver que o mesmo copo está cheio e se refazer em uma nova esperança.
_Por que a senhora diz isto?- A mãe mexera em algo dentro dele.
_Pedrinho há um envelope lá dentro, vamos ler? -Fazendo cosquinhas na barriga.
Ambos se apoiaram na caixa e o menino retirou a carta e abrindo-a leu empolgado:
_" Aquele que for o dono deste baú receberá a maior de todas as recompensas do mundo. Chamo-me Ana e soube muito cedo que deixaria a terra do viventes, então enchi esta arca com todos os beijos que pude para ofertar a todas as pessoas desventuradas do mundo. Se você achou meu tesouro, é dono do meu legado. O baú não possui o poder do amor, amor sempre haverá. O baú está cheio de amar."

Pedrinho olhou a mãe que com um belo riso falou:
_Viu? Você é o menino mais rico do mundo!
_Como mamãe? Não se pode comprar casa, viagens ou a fórmula que me fará maior com amor?
A matriarca desceu a sua altura fitando com carinho e preferiu:
_Não,amar não compra nada disto mas exerça a herança que descobriu quem sabe o que tudo isto poderá da-lo?
Voltaram para casa. A notícia se espalhou. Todos vinham ver a arca não do amor, o Baú do Amar.
Logo eram pessoas,cidades,Estados,países e assim veio o mundo!
Cada um que abria o baú sentia-se invadido por um tsunami de Amar que jamais sentira antes.
E com tantas pessoas a mãe teve a ideia de vender alguns quitutes, e o negócio prosperou de forma tão gigantesca que a casa nova veio só não as viagens nem a fórmula do crescimento.
Um dia indagado pela mãe sobre o assunto o menino firme respondeu:
_A melhor viagem que fiz mãe foi encontrar esse baú, a melhor aventura da minha vida.E quanto a fórmula do crescimento,não preciso mais dela, sou um gigante, cheguei ao céu!
_E  por quê filho?- rebateu orgulhosa dele.


_Porque de que outro tamanho seria alguém que sabe amar?